terça-feira, 19 de março de 2013

Dia do pai... Saudade, tenho saudades...

Dia do pai...

Saudade...

Se ainda estivesse entre nós, meu pai teria feito no passado dia dois, 93 anos.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

"LAMBUÇAS" do meu memorial dos dias felizes

Guardo, dos meus tempos de cooperante da maior e, porventura, mais profunda conquista de Abril – a Reforma Agrária – muitas e boas recordações.

Cooperante que fui no Vidigal (Entroncamento) um dos núcleos da Cooperativa de Árgea, não esqueço as lutas travadas na ocupação e particularmente na resistência à ofensiva do Barreto e outros que tal contra a Reforma Agrária, mas, como escreveu Jorge Amado, «a revolução é uma pátria e uma família» é sobretudo os cooperantes, a família de então, que recordo. Correndo o risco de deixar de fora alguns, seguramente tão empenhados na Reforma Agrária, quanto os que agora recordo atrevo-me ainda assim a referenciar os nomes que memória, mais de três décadas passadas ainda preserva.
São eles:
Joaquim Alberto [ex-padre católico] e companheira; Armando [deficiente das forças armadas]; Zé Inocêncio [meu camarada de partido que me integrou nas lides da cooperação]; Zé António [de Tomar]; Cristi [jovem alemã ocidental que se solidarizou com a nossa luta]; Zé [ex-aluno da Casa Pia] e tantos, tantos outros, por exemplo o Camilo Mortágua que diversas vezes por lá passou. E claro, o Tómêpê [António Mendes Pedro, maltês natural dos Riachos que de quando em vez por lá aparecia] … e o inesquecível Lambuças…
Lambuças era o nosso cão, um Serra da Estrela cruzado com pastor alemão. Por estranho que pareça, é um dos “elementos” que mais saudades me deixou, tanto assim é que jurei a mim mesmo ter um dia um Serra da Estrela a que chamaria “LAMBUÇAS”.
Hoje concretizei esse sonho!
O “Lambuças” como escreveu o meu filho Dinis faz a partir de hoje parte da família.



Notas(*1)Se não estou em erro Luis Sepúlveda tem uma obra intitulada «Memorial de los años felices»... creio que não é plágio usar esta expressão " memorial dos meus dias felizes"... de facto aqueles dias, meses... enfim no PREC fui mesmo feliz!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

87º Aniversário da minha mãe.

Está feliz a minha mãe,
comemorou a 6 de Janeiro 87 anos.

Hugo Chavez, por Eduardo Galeano


Hugo Chávez es un demonio. ¿Por qué? Porque alfabetizó a 2 millones de venezolanos que no sabían leer ni escribir, aunque vivían en un país que tiene la riqueza natural más importante del mundo, que es el petróleo. Yo viví en ese país algunos años y conocí muy bien lo que era. La llaman la “Venezuela Saudita” por el petróleo. Tenían 2 millones de niños que no podían ir a las escuelas porque no tenían documentos. Ahí llegó un gobierno, ese gobierno diabólico, demoníaco, que hace cosas elementales, como decir “Los niños deben ser aceptados en las escuelas con o sin documentos”. Y ahí se cayó el mundo: eso es una prueba de que Chávez es un malvado malvadísimo.
Ya que tiene esa riqueza, y gracias a que por la guerra de Iraq el petróleo se cotiza muy alto, él quiere aprovechar eso con fines solidarios. Quiere ayudar a los países suramericanos, principalmente Cuba. Cuba manda médicos, él paga con petróleo. Pero esos médicos también fueron fuente de escándalos. Están diciendo que los médicos venezolanos estaban furiosos por la presencia de esos intrusos trabajando en esos barrios pobres.
En la época en que yo vivía allá como corresponsal de Prensa Latina, nunca vi un médico. Ahora sí hay médicos. La presencia de los médicos cubanos es otra evidencia de que Chávez está en la Tierra de visita, porque pertenece al infierno. Entonces, cuando se lee las noticias, se debe traducir todo. El demonismo tiene ese origen, para justificar la máquina diabólica de la muerte.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Conquista


Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!

(Miguel Torga, in 'Cântico do Homem')

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Inaugurada Oficina Museu


[Clicar na foto de Carolino Tapadejo para aceder à Noticia da Rádio portalegre, a proposito do evento]

Castelo de Vide, oficina museu de Mestre Tapadejo

Mudar de Vida [José Mário Branco, vida e obra.]

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Há coisas que eu não entendo...

Castelo de Vide
No passado dia 6 de Outubro os “Carapetos” de Castelo de Vide, descendentes de Manuel do Nascimento (Livramento) Carapeto e Vitoria de Alegria Junceiro voltaram a confraternizar. A festa/convívio mobilizou mais de uma centena de “Carapetos” dos seis ramos que constituem esta família, porventura uma das maiores de Castelo de Vide, sendo referenciada pelo menos desde 1713.

Estranhamente ou talvez não, apenas o jornal AltoAlentejo, semanário com sede em Portalegre publicou um notícia sobre o evento, tal facto levou a que a edição 298 esgotasse na Fotovila em Castelo de Vide.

A isto eu chamo, de acordo com o lema do próprio jornal, “A informação terra a terra” um informação plural, objectiva, imparcial e sobretudo actualizada...

Gosto!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Miguel de Vasconcelos vs Passos Coelho

Há qualquer coisa de Vasconcelos nesta gentalha…
 

Este governo, liderado por serviçais – para não lhes chamar traidores – da Angela Merkel permitiu-se ignorar o povo português e, antes de nos dizer como nos vai roubar apressou-se a apresentar aos seus patrões a nova carga fiscal que ai vem.
Às vítimas nem uma palavra…
A cena lembra-me uma outra da história de Portugal que envolvia um tal Miguel de Vasconcelos. Também este facínora, a soldo de um governo estrangeiro, na época Espanha [1640] se permitia aplicar pesados impostos ao povo português.
Mas o tiro saiu-lhe pela culatra. As medidadas desencadearam várias revolta; O Manuelinho de Évora, motins em Vila Viçosa e noutras terras do Alentejo, entre outras.
Por ser um crápula ao serviço dos estrangeiros foi alvo do ódio do povo português e foi a primeira vítima da revolta de 1640. Diz-se que o ‘porco’ quando confrontado com a rebelião se escondeu num armário e fechou-se lá dentro. Descoberto, a porta do armário foi rebentada e o animal morto à pancada sendo depois atirado pa janela à multidão.
Não sei porquê, mas há qualquer coisa de Vasconcelos nestes moços, particularmente em Passos Coelho.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

À atenção dos "CARAPETOS" de Castelo de Vide [descendentes de Manuel do Livramento (Nascimento) Carapeto e Victória de Alegria] a festa é já no proximo dia 6 de Outubro!


Manuel nasceu em 1843 e Victória em 1848 [desconhece-se a data do falecimento]. Casaram em 23/11/1868 e geraram 7 filhos, a saber:

Maria de Alegria Carapeto [1864 – 1947] casou com João Augusto Vilela;

João dos Santos Carapeto [1867 – 1902] casou com Edvige de Assumpção;

Joaquim António Carapeto [1870 – 1944] casou com Genoveva Etelvina Quintans;

Ana Carapeto [1878 – 1879] faleceu solteira (1 ano);

Francisco Martins Carapeto [1881 – 1970] casou com Libania Maria Roxo e

Manuel Felizardo Carapeto [1886 – 1968] que casou com Maria Francisca Escarameia

terça-feira, 5 de junho de 2012

Velhinho... mas tão actual... "FMI" de Zé Mário Branco

FMI


de José Mário Branco


Cachucho não é coisa que me traga a mim

Mais novidade do que lagostim

Nariz que reconhece o cheiro do pilim

Distingue bem o mortimor do meirim

A produtividade, ora aí está, quer dizer

Há tanto nesta terra que ainda está por fazer

Entrar por aí a dentro, analisar, e então

Do meu 'attachi-case' sai a solução!

FMI Não há graça que não faça o FMI

FMI O bombástico de plástico para si

FMI Não há força que retorça o FMI

Discreto e ordenado mas nem por isso fraco

Eis a imagem 'on the rocks' do cancro do tabaco

Enfio uma gravata em cada fato-macaco

E meto o pessoal todo no mesmo saco

A produtividade, ora aí está, quer dizer

Não ando aqui a brincar, não há tempo a perder

Batendo o pé na casa, espanador na mão

É só desinfectar em superprodução!

FMI Não há truque que não lucre ao FMI

FMI O heróico paranóico 'hara-quiri'

FMI Panegírico, pro-lírico daqui

Palavras, palavras, palavras e não só

Palavras para si e palavras para dó

A contas com o nada que swingar o sol-e-dó

Depois a criadagem lava o pé e limpa o pó

A produtividade, ora nem mais, célulazinhas cinzentas

Sempre atentas

E levas pela tromba se não te pões a pau

Num encontrão imediato do 3º grau!

FMI Não há lenha que detenha o FMI

FMI Não há ronha que envergonhe o FMI

FMI ...

Entretém-te filho, entretém-te, não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer, mal-te-quer, vem-te-quer, ovomalt'e-quer, messe gigantesca, vem-te vindo, vi-me na cozinha, vi-me na casa-de-banho, vi-me no Politeama, vi-me no Águia D'ouro, vi-me em toda a parte, vem-te filho, vem-te comer ao olho, vem-te comer à mão, olha os pombinhos pneumáticos que te orgulham por esses cartazes fora, olha a Música no Coração da Indira Gandi, olha o Muchê Dyane que te traz debaixo d'olho, o respeitinho é muito lindo e nós somos um povo de respeito, né filho? Nós somos um povo de respeitinho muito lindo, saímos à rua de cravo na mão sem dar conta de que saímos à rua de cravo na mão a horas certas, né filho? Consolida filho, consolida, enfia-te a horas certas no casarão da Gabriela que o malmequer vai-te tratando do serviço nacional de saúde. Consolida filho, consolida, que o trabalhinho é muito lindo, o teu trabalhinho é muito lindo, é o mais lindo de todos, como o astro, não é filho? O cabrão do astro entra-te pela porta das traseiras, tu tens um gozo do caraças, vais dormir entretido, não é? Pois claro, ganhar forças, ganhar forças para consolidar, para ver se a gente consegue num grande esforço nacional estabilizar esta destabilização filha-da-puta, não é filho? Pois claro! Estás aí a olhar para mim, estás a ver-me dar 33 voltinhas por minuto, pagaste o teu bilhete, pagaste o teu imposto de transação e estás a pensar lá com os teus botões: Este tipo está-me a gozar, este gajo quem é que julga que é? Né filho? Pois não é verdade que tu és um herói desde de nascente? A ti não é qualquer totobola que te enfia o barrete, meu grande safadote! Meu Fernão Mendes Pinto de merda, né filho? Onde está o teu Extremo Oriente, filho? Ah-ni-qui-bé-bé, ah-ni-qui-bó-bó, tu és 'Sepuldra' tu és Adamastor, pois claro, tu sozinho consegues enrabar as Nações Unidas com passaporte de coelho, não é filho? Mal eles sabem, pois é, tu sabes o que é gozar a vida! Entretém-te filho, entretém-te! Deixa-te de políticas que a tua política é o trabalho, trabalhinho, porreirinho da Silva, e salve-se quem puder que a vida é curta e os santos não ajudam quem anda para aqui a encher pneus com este paleio de Sanzala e ritmo de pop-xula, não é filho?

A one, a two, a one two three

FMI dida didadi dadi dadi da didi

FMI ...

Come on you son of a bitch! Come on baby a ver se me comes! Come on Luís Vaz, 'amanda'-lhe com o José Cacila que os senhores já vão ver o que é meterem-se com uma nação de poetas! E zás, enfio-te o Manuel Alegre no Mário Soares, zás, enfio-te o Ary dos Santos no Álvaro de Cunhal, zás, enfio-te o Zé Fanha no Acácio Barreiros, zás, enfio-te a Natalia Correia no Sá Carneiro, zás, enfio-te o Pedro Homem de Melo no Parque Mayer e acabamos todos numa sardinhada ao integralismo Lusitano, a estender o braço, meio 'Roulant' preto, meio Steve McQueen, ok boss, tudo ok, estamos numa porreira meu, um tripe fenomenal, proibido voltar atrás, viva a liberdade, né filho? Pois, o irreversível, pois claro, o irreversívelzinho, pluralismo a dar com um pau, nada será como dantes, agora todos se chateiam de outra maneira, né filho? Ora que porra, deixa lá correr uma fila ao menos, malta pá, é assim mesmo, cada um a curtir a sua, podia ser tão porreiro, não é? Preocupações, crises políticas pá? A culpa é dos partidos pá! Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, pois pá, é só paleio pá, o pessoal na quer é trabalhar pá! Razão tem o Jaime Neves pá! (Olha deixaste cair as chaves do carro!) Pois pá! (Que é essa orelha de preto que tens no porta-chaves?) É pá, deixa-te disso, não destabilizes pá! Eh, faz favor, mais uma bica e um pastel de nata. Uma porra pá, um autentico desastre o 25 de Abril, esta confusão pá, a malta estava sossegadinha, a bica a 15 tostões, a gasosa a sete e coroa... Tá bem, essa merda da pide pá, Tarrafais e o carágo, mas no fim de contas quem é que não colaborava, ah? Quantos bufos é que não havia nesta merda deste país, ah? Quem é que não se calava, quem é que arriscava coiro e cabelo, assim mesmo, o que se chama arriscar, ah? Meia dúzia de líricos, pá, meia dúzia de líricos que acabavam todos a fugir para o estrangeiro, pá, isto é tudo a mesma carneirada! Oh sr. guarda venha cá, á, venha ver o que isto é, é, o barulho que vai aqui, i, o neto a bater na avó, ó, deu-lhe um pontapé no cu, né filho? Tu vais conversando, conversando, que ao menos agora pode-se falar, ou já não se pode? Ou já começaste a fazer a tua revisãozinha constitucional tamanho familiar, ah? Estás desiludido com as promessas de Abril, né? As conquistas de Abril! Eram só paleio a partir do momento que tas começaram a tirar e tu ficaste quietinho, né filho? E tu fizeste como o avestruz, enfiaste a cabeça na areia, não é nada comigo, não é nada comigo, né? E os da frente que se lixem... E é por isso que a tua solução é não ver, é não ouvir, é não querer ver, é não querer entender nada, precisas de paz de consciência, não andas aqui a brincar, né filho? Precisas de ter razão, precisas de atirar as culpas para cima de alguém e atiras as culpas para os da frente, para os do 25 de Abril, para os do 28 de Setembro, para os do 11 de Março, para os do 25 de Novembro, para os do... que dia é hoje, ah?

FMI Dida didadi dadi dadi da didi

FMI ...

Não há português nenhum que não se sinta culpado de qualquer coisa, não é filho? Todos temos culpas no cartório, foi isso que te ensinaram, não é verdade? Esta merda não anda porque a malta, pá, a malta não quer que esta merda ande, tenho dito. A culpa é de todos, a culpa não é de ninguém, não é isto verdade? Quer isto dizer, há culpa de todos em geral e não há culpa de ninguém em particular! Somos todos muita bons no fundo, né? Somos todos uma nação de pecadores e de vendidos, né? Somos todos, ou anti-comunistas ou anti-faxistas, estas coisas até já nem querem dizer nada, ismos para aqui, ismos para acolá, as palavras é só bolinhas de sabão, parole parole parole e o Zé é que se lixa, cá o pintas azeite mexilhão, eu quero lá saber deste paleio vou mas é ao futebol, pronto, viva o Porto, viva o Benfica, Lourosa, Lourosa, Marrazes, Marrazes, fora o arbitro, gatuno, bora tudo p'ro caralho, razão tinha o Tonico de Bastos para se entreter, né filho? Entretém-te filho, com as tuas viúvas e as tuas órfãs que o teu delegado sindical vai tratando da saúde aos administradores, entretém-te, que o ministro do trabalho trata da saúde aos delegados sindicais, entretém-te filho, que a oposição parlamentar trata da saúde ao ministro do trabalho, entretém-te, que o Eanes trata da saúde à oposição parlamentar, entretém-te, que o FMI trata da saúde ao Eanes, entretém-te filho e vai para a cama descansado que há milhares de gajos inteligentes a pensar em tudo neste mesmo instante, enquanto tu adormeces a não pensar em nada, milhares e milhares de tipos inteligentes e poderosos com computadores, redes de policia secreta, telefones, carros de assalto, exércitos inteiros, congressos universitários, eu sei lá! Podes estar descansado que o Teng Hsiao-Ping está a tratar de ti com o Jimmy Carter, o Brezhnev está a tratar de ti com o João Paulo II, tudo corre bem, a ver quem se vai abotoar com os 25 tostões de riqueza que tu vais produzir amanhã nas tuas oito horas. A ver quem vai ser capaz de convencer de que a culpa é tua e só tua se o teu salário perde valor todos os dias, ou de te convencer de que a culpa é só tua se o teu poder de compra é como o rio de S. Pedro de Moel que se some nas areias em plena praia, ali a 10 metros do mar em maré cheia e nunca consegue desaguar de maneira que se possa dizer: porra, finalmente o rio desaguou! Hão te convencer de que a culpa é tua e tu sem culpa nenhuma, tens tu a ver, tens tu a ver com isso, não é filho? Cada um que se vá safando como puder, é mesmo assim, não é? Tu fazes como os outros, fazes o que tens a fazer, votas à esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais, e votas na direita moderada nas presidenciais! Que mais querem eles, que lhe ofereças a Europa no natal?! Era o que faltava! É assim mesmo, julgam que te levam de mercedes, ora toma, para safado, safado e meio, né filho? Nem para a frente nem para trás e eles que tratem do resto, os gatunos, que são pagos para isso, né? Claro! Que se lixem as alternativas, para trabalho já me chega. Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo! Descansa, não penses em mais nada, que até neste país de pelintras se acho normal haver mãos desempregadas e se acha inevitável haver terras por cultivar! Descontrai baby, come on descontrai, arrefinfa-lhe o Bruce Lee, arrefinfa-lhe a macrobiótica, o biorritmo, o euroscópio, dois ou três ofeneologistas, um gigante da ilha de Páscoa e uma 'Graciv Morn' (??) de vez em quando para dar as boas festas às criancinhas! Piramiza filho, piramiza, antes que os chatos fujam todos para o Egipto, que assim é que tu te fazes um homenzinho e até já pagas multa se não fores ao recenseamento. Pois pá, isto é um país de analfabetos, pá! Dá-lhe no Travolta, dá-lhe no disco-sound, dá-lhe no pop-xula, pop-xula pop-xula, iehh iehh, J. Pimenta forever! Quanto menos souberes a quantas andas melhor para ti, não te chega para o bife? Antes no talho do que na farmácia; não te chega para a farmácia? Antes na farmácia do que no tribunal; não te chega para o tribunal? Antes a multa do que a morte; não te chega para o cangalheiro? Antes para a cova do que para não sei quem que há-de vir, cabrões de vindouros, ah? Sempre a merda do futuro, a merda do futuro, e eu ah? Que é que eu ando aqui a fazer? Digam lá, e eu? José Mário Branco, 37 anos, isto é que é uma porra, anda aqui um gajo cheio de boas intenções, a pregar aos peixinhos, a arriscar o pêlo, e depois? É só porrada e mal viver é? O menino é mal criado, o menino é 'pequeno burguês', o menino pertence a uma classe sem futuro histórico... Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta! Deixem-me sozinho, filhos da puta, deixem só um bocadinho, deixem-me só para sempre, tratem da vossa vida que eu trato da minha, pronto, já chega, sossego porra, silêncio porra, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me só, deixem-me morrer descansado. Eu quero lá saber do Artur Agostinho e do Humberto Delgado, eu quero lá saber do Benfica e do bispo do Porto, eu quero se lixe o 13 de Maio e o 5 de Outubro e o Melo Antunes e a rainha de Inglaterra e o Santiago Carrilho e a Vera Lagoa, deixem-me só porra, rua, larguem-me, zórpila o fígado, arreda, 'terneio' Satanás, filhos da puta. Eu quero morrer sozinho ouviram? Eu quero morrer, eu quero que se foda o FMI, eu quero lá saber do FMI, eu quero que o FMI se foda, eu quero lá saber que o FMI me foda a mim, eu vou mas é votar no Pinheiro de Azevedo se eu tornar a ir para o hospital, pronto, bardamerda o FMI, o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões, o FMI não existe, o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma, o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio, rua, desandem daqui para fora, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, a culpa é vossa, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe, oh mãe...

Mãe, eu quero ficar sozinho... Mãe, não quero pensar mais... Mãe, eu quero morrer mãe.

Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim, outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento. E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...

Assim mesmo, como entrevi um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o azul dos operários da Lisnave a desfilar, gritando ódio apenas ao vazio, exército de amor e capacetes, assim mesmo na Praça de Londres o soldado lhes falou: Olá camaradas, somos trabalhadores, eles não conseguiram fazer-nos esquecer, aqui está a minha arma para vos servir. Assim mesmo, por detrás das colinas onde o verde está à espera se levantam antiquíssimos rumores, as festas e os suores, os bombos de lava-colhos, assim mesmo senti um dia, a chorar de alegria, de esperança precoce e intranquila, o bater inexorável dos corações produtores, os tambores. De quem é o carvalhal? É nosso! Assim te quero cantar, mar antigo a que regresso. Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado, Grandola Vila Morena. Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois.

Pela vaga de fundo se sumiu o futuro histórico da minha classe, no fundo deste mar, encontrareis tesouros recuperados, de mim que estou a chegar do lado de lá para ir convosco. Tesouros infindáveis que vos trago de longe e que são vossos, o meu canto e a palavra, o meu sonho é a luz que vem do fim do mundo, dos vossos antepassados que ainda não nasceram. A minha arte é estar aqui convosco e ser-vos alimento e companhia na viagem para estar aqui de vez. Sou português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, faltam-me dentes. Sou o Zé Mário Branco, 37 anos, do Porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim para cantar e para o resto.



domingo, 20 de maio de 2012

Parabéns ACADÉMICA!

Briosa





Hoje a Académica levou a taça. Mereceu e fica-lhe bem!


Mas o que eu gostava mesmo era que a vitória de hoje tivesse ocorrido em 1969…
Abril teria demorado tanto, se a Académica tivesse ganho essa taça?


 
 1969 - a Académica levou a Luta Estudantil ao Jamor

Alegria pela vitória de 2012

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Uma oportunidade para trocar de governo.

Ó meu caro… porquê essa cara de enjoo? É apenas um avião que caiu no atlantico... Não há sobreviventes...
Ó... paciência... vá lá seja optimista…
Imagine que no avião seguia a comitiva governamental. Pois... afinal de contas é apenas uma oportunidade para trocar de governo.



Como diria Ricardo Araújo Pereira: «Sigamos o exemplo de Passos Coelho e descortinemos oportunidades em todas as desgraças. Porquê ficar apenas pelo desemprego? Os acidentes rodoviários são uma oportunidade para trocar de carro. Os incêndios são uma oportunidade para organizar uma grande churrascada com amigos. As cheias são uma oportunidade para fazer um passeio de barco bem romântico. E a cadeia é uma oportunidade para descansar e descobrir novas sensações no duche.»

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O ESTABELECIMENTO DE BONS ORDEDNADOS É A MELHOR ECONOMIA.





Quando, ouço Bessa Múrias e outros responsáveis pelo estado a que chegamos, defender que o aumento de salário é prejudicial à economia, sinto vontade de vomitar… Incomoda-me o servilismo de tal gente, enoja-me a mediocridade.

A este propósito têm vindo a lume declarações de ilustres economistas que arrasam por completo as teses absurdas desta gente. Acrescentar austeridade à austeridade, somar miséria à fome só trás ...mais austeridade, mais fome e mais pobreza. Mas não é deles que me socorro para contestar os bandidos – não tenho outro adjetivo para os classificar – que nos atormentam a integridade mental diariamente nos palcos mediáticos, proferindo opiniões absurdas para sair da puta da crise…. Valho-me antes do verbo do meu conterrâneo e distinto legislador liberal José Xavier Mouzinho da Silveira que 1827, a cinco de janeiro declarava no parlamento que: «Os criados, que se vêm oferecer, e se ajustam por todo o preço, não são bons criados, (…) destas economias é que têm vindo todos os males à nossa administração: O ESTABELECIMENTO DE BONS ORDEDNADOS É A MELHOR ECONOMIA.»

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Até sempre Miguel, até sempre camarada!

Éramos do mesmo partido, porem  nem sempre alinhamos pela mesma diapasão, mas este Homem era meu camarada e eu orgulho-me dele!

Até sempre Miguel, até sempre camarada!