Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Noticia de Julho de 2004

HOMENAGEM A SALGUEIRO MAIA NO LARGO DO CARMO

Dando cumprimento a uma de duas decisões da Assembleia-geral para homenagear Salgueiro Maia, insertas no plano de actividades do GACV, esta associação decidiu homenagear no dia em que faria 60 anos o seu conterrâneo Capitão de Abril, Fernando Salgueiro Maia. Para o efeito, em parceria com a Associação 25 de Abril, na presença de amigos e familiares foi prestada na quinta-feira dia 1 de Julho, uma singela homenagem no Largo do Carmo, em Lisboa à memória do «herói que não se rende» como escreveu Manuel Alegre referindo-se a Salgueiro Maia.
A outra iniciativa inscrita no plano de actividades do GACV também aprovada na ultima Assembleia Geral, relacionada com esta mesma temática, visava colocar uma lápide na casa da Rua de Santo Amaro em Castelo de Vide, onde nasceu o valoroso capitão, invocando o evento, porem a C. Municipal de Castelo de Vide antecipou-se e propôs-se ela própria colocar a lápide, pelo que alguns directores do GACV, não se considerando donos do legado ou da memória do "Capitão Maia", saúdam a iniciativa mas registam o facto.
Após deposição de um ramo de cravos (vermelhos como os de Abril) no monumento a Salgueiro Maia inserto no pavimento daquele largo e de um outro junto ao Quartel do Carmo, os oradores Joaquim Canário pelo Grupo promotor da iniciativa e Vasco Lourenço pela Associação 25 de Abril, invocaram, em curtas mas sentidas palavras, a memória do "Capitão de Abril".
Joaquim Canário, ex-edil da Câmara Municipal de Castelo de Vide e actual Presidente da Direcção do GACV, visivelmente emocionado teceu elogios à memória do seu conterrâneo, a quem chamou o Homem da Liberdade. Salgueiro Maia, foi nas palavras de Joaquim Canário «(...) o homem que arriscou. Que arriscou e nós ganhamos a liberdade.» O outro orador, Vasco Lourenço, também ele "Capitão de Abril", recordou Salgueiro Maia, o qual disse ser sócio de honra da sua associação, estatuto também atribuído a outros "militares de Abril", também já desaparecidos de entre os quais destacou Melo Antunes e Francisco da Costa Gomes.
De Salgueiro Maia exaltou sobretudo a sua perseverança na defesa da liberdade, tendo dito logo no inicio da sua intervenção que «(...) os deuses costumam levar cedo demais os melhores, os mais generosos» numa clara referência ao precoce desaparecimento de Salgueiro Maia.
Alguns dos presentes comentando a situação política subsequente à fuga, para alguns, para outros nomeação de Durão Barroso, não perderam a oportunidade para enviar recados a Sampaio, nomeadamente invocando que foi naquele mesmo lugar que trinta anos antes o povo alcançou o direito a eleições, o direito a escolher os seus representantes, solução que, fizeram questão de afirmar, no seu entender é a resposta adequada à "crise" política.
Carlos Beato, actual Presidente da C. M. de Grândola, recordando o 25 de Abril de 1974, quando integrado na coluna de Salgueiro Maia ali esteve, indicou o local onde estava quando foi dada a ordem de disparar uma rajada de G3 contra os muros do Carmo.
Regista-se que as marcas dos tiros a que aludiu Beato, entretanto "apagadas", constituíram durante muito tempo uma marca daquele dia. Presentes estiveram entre outros a Drª Natércia Maia, esposa de Salgueiro Maia, os filhos Filipe e Catarina e a neta, a Associação 25 de Abril que se fez representar por Vasco Lourenço, a C. M. de Castelo de Vide na pessoa de Dona Virgínia Landeiro, o Presidente da C. Municipal de Grândola (Carlos Beato), o Director do Noticias de Castelo de Vide e a Direcção do Grupo de Amigos de C. de Vide que se fez representar ao mais alto nível, bem como outros castelovidenses e anónimos cidadãos que não quiseram deixar a oportunidade para homenagear Salgueiro Maia no dia do seu sexagésimo aniversário se os deuses, como disse Vasco Lourenço, não o tivessem levado cedo demais do nosso convívio.
José Carrilho

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